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Condução e Medicamentos
Quinta, 03 Fevereiro 2011 18:21

Condução e Medicamentos Conjugação de Risco

A condução automóvel é uma tarefa complexa que exige a recolha e integração de informação muito diversa que tem que ser devidamente tratada, requerendo respostas ajustadas e seguras às várias situações de trânsito com que o condutor se vai confrontando.
O acto de conduzir exige que as faculdades do condutor estejam em perfeitas condições de forma a estar apto a responder adequada e atempadamente às numerosas exigências da circulação rodoviária e riscos que lhe estão subjacentes.
Poucos condutores sabem que os medicamentos, embora necessários para o bem estar das pessoas, podem, nalgumas situações, prejudicar o desempenho físico e psíquico dos indivíduos.

Vários medicamentos que actuam a nível do sistema nervoso como, por exemplo, os antipsicóticos, ansiolíticos, hipnóticos, sedativos ou antidepressivos (e outros psicotrópicos), podem afectar a competência para a condução automóvel prejudicando as capacidades de atenção evigilância, o tempo de reacção, as capacidades perceptivas e cognitivas e o desempenho motor (muscular e de reflexos).

Contudo, os problemas não se circunscrevem à utilização de fármacos em doenças graves ou crónicas – com estes os doentes estão mais controlados, informados e atentos às suas limitações. É, também, necessário ser cuidadoso com medicamentos presumivelmente “inocentes” para episódios clínicos passageiros e/ou menos graves, que podem não necessitar de receita médica e que, por essa razão, não se associam à condução de veículos.

Atenção
Não são só os medicamentos de utilização muito específica que podem afectar o estado psicofísico do condutor. Vários dos medicamentos de venda livre, considerados geralmente inócuos, como analgésicos (para as dores), antitússicos (na forma de xarope), anti-histamínicos (para as alergias), antigripais, diuréticos ou pomadas e gotas oftalmológicas, muitas vezes automedicados, podem ter consequências afectando a segurança da condução.

A auto-medicação é um importante factor de risco Euforia ou fadiga, agressividade ou passividade, tremuras, náuseas, entorpecimento, vertigens, sonolência, perda de reflexos, perturbações da visão, perda das capacidades cognitivas e perceptivas, de vigilância, de concentração, de previsão, de reacção e de avaliação podem ser alguns dos efeitos de medicamentos por alterarem as funções cerebrais de coordenação e resposta motora que ficam comprometidas.

Atenção ao folheto informativo
Quando um condutor está a tomar um medicamento em cujo folheto informativo se adverte que pode afectar a sua capacidade para a condução, deve levar isso a sério. Mesmo nos medicamentos que não requerem receita deve ter-se em atenção as advertências constantes do prospecto.Seja qual for a medicação, há que estar atento aos seus efeitos secundários na capacidade de condução.

Álcool e medicamentos – interacção perigosa
Combinados com o álcool, os efeitos desfavoráveis de certos medicamentos sobre as capacidades perceptivas, de concentração e de reacção são multiplicados. Da mesma forma os efeitos dos medicamentos podem potenciar os efeitos nocivos do álcool. A conjugação álcool + medicamentos + condução aumenta consideravelmente o risco de sofrer um acidente de viação.

Responsabilidade individual
Nunca aumentar, por auto-deliberação, a dose prescrita.Em relação a determinados medicamentos como os psicotrópicos é aconselhável não conduzir durante os primeiros dias da sua toma para poder avaliar eventuais efeitos que possam alterar as capacidades de condução. Poder-se-á iniciar a toma desses medicamentos a uma sexta-feira para ter o fim de semana sem conduzir.O tempo de absorção de um medicamento pode variar de algumas horas a alguns dias e age diferentemente segundo as pessoas que o utilizam. Depende também da hora do dia, do cansaço do indivíduo ou se está a tomar outros medicamentos em simultâneo.

Casos de doenças crónicas
Diabetes – atenção às palpitações, taquicardia, sudorese, tremores, náuseas, sensação emergente de fome e de sede e à probabilidade de ocorrer hipoglicemia;

Cardíaca e hipertensão arterial – esteja atento ao aparecimento de fadiga, tonturas, vertigens, hipotensão, aumento do tempo de reacção, letargia, diminuição da concentração, parestesias, alterações do sono, do humor ou da visão;

Epilepsia – movimentos involuntários, confusão, perda de memória e de concentração, letargia, fadiga ou diminuição da capacidade motora são sinais de alerta que indicam que não está em condições para conduzir;

Parkinson – abstenha-se de conduzir se apresentar movimentos involuntários, sonolência, confusão, alucinações ou tonturas quando se levanta (hipotensão ortostática);

Doenças do sistema nervoso ou do foro mental
– é importante ter presente que quer a doença quer os efeitos dos medicamentos podem provocar alterções que inibem a condução. Falamos de nervosismo ou letargia, agitação ou sedação, alteração dos reflexos, das capacidades cognitivas, perceptivas, de coordenação motora ou de comportamento.

Precauções
  • Seguir sempre as indicações do médico assistente
  • Cumprir a medicação prescrita
  • Não conduzir durante os períodos de crise e quando o médico iniciar ou modificar a medicação
  • Só conduzir se sentir que o pode fazer em segurança

Idade
O(s) efeito(s) do mesmo medicamento dependem da idade em virtude das alterações fisiológicas que o processo natural de envelhecimento comporta. A eliminação dos produtos pode tornar-se mais lenta e as substâncias acumularem-se no organismo e, mesmo em pequenas doses, podem ter um efeito mais prolongado que o habitual.Os jovens, por seu lado, utilizam frequentemente, cocktails de bebidas alcoólicas e simultaneamente tomam medicamentos, como por exemplo sedativos, para obter efeitos semelhantes aos dasdrogas ilícitas. Não é demais referir que conduzir sob o efeito desta mistura é extremamente perigoso.
E o perigo aumenta quando conduzem durante a noite ou madrugada acrescendo aos efeitos da fadiga os do álcool e os dos medicamentos.

Sonolência
Aos primeiros sinais de cansaço o condutor deve estacionar num local apropriado ou fazer-se substituir por outra pessoa na condução. Ignorar que se precisa de dormir pode levar ao adormecimento instantâneo ao volante. E abrir o vidro, colocar o rádio mais alto ou cantar não são formas de impedir que o estado de sonolência afecte o desempenho do condutor e seja indutor de um acidente grave.
Os trabalhadores por turnos se vão conduzir devem ter um especial cuidado com o uso de medicamentos, particularmente com os psicotrópicos, devido à irregularidade dos períodos de sono que pode agravar os efeitos secundários destes medicamentos. Embora existam variações individuais, o período de sono diário deve ser no mínimo de 7 horas.

ADVERTÊNCIAS PRÁTICAS
  • Medicamentos vendidos com ou sem receita médica – Prudência
  • Informe-se junto do médico ou farmacêutico dos efeitos secundários
  • Siga as instruções (posologia/tempo). Não ultrapasse a dose prescrita, nem reduza ou aumente o intervalo das tomas.
  • Leia atentamente o folheto, em particular as contra-indicações para a condução automóvel.
  • Deixe o seu organismo habituar-se ao medicamento e auto observe a sua reacção antes de se propor conduzir.
  • Ao menor sinal de mal-estar interrompa a condução estacionando o veículo em local apropriado.
  • Absorção simultânea de vários medicamentos
  • Quer se trate de medicamentos prescritos pelo médico, quer automedicados, informe-se das possíveis interacções pois podem reforçar os efeitos nocivos para a segurança da condução.
  • Quando estiver a tomar medicamentos evite outras substâncias ou produtos que não sejam controlados pelo médico, mesmo que sejam naturaisou de ervanária, como estimulantes ou energéticos, porque podem aumentar o risco para a condução.
  • Não tomar medicamentos prescritos a outras pessoas mesmo que os sintomas sejam similares a doença pode ser outra.
  • Os efeitos dos medicamentos são diferentes de pessoa para pessoa. O organismo pode reagir de forma diferente mesmo que a posologia seja a mesma.

ALERTAS
  • Sonolência – baixa de vigilância
  • Dificuldades de concentração
  • Aumento de tempo de reacção
  • Perturbações da percepção – principalmente visual
  • Vertigens, sensação de fraqueza, tonturas náuseas
  • Tremuras, movimentos involuntários dificuldade na coordenação motora
  • Perda da noção de perigo, excesso de autoconfiança, perturbações na capacidade de raciocínio
  • Perturbações comportamentais, agressividade/passividade
  • Condução irregular e dificuldade em manter a trajectória


Fonte: ANSR
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